quinta-feira, 28 de setembro de 2017

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

de nuca na grama

voo com nuvens que passam ao longe
e além - viagem cósmica rente ao chão

vertigem antigravitacional
e a pele vulnerável a formigas

incisão imprecisa

de navalha à pata
no instante da graça
o poeta se atrapalha

o corte quase preciso
estraga a cirurgia
e ele se desculpa,
as mangas rubras

poema afiado

o poema não se aceita inofensivo:
corta com gosto,
junto à folha que o carrega, vãos
dos dedos do leitor
e quando sem a concretude do papel
contenta-se em cortar a carne
da alma

calo

eu gosto de laranja
eu gosto de la...

voz que sumia no calo
das cordas vocais

anos de tratamento
e calo não há mais

onde some agora a voz?

sexta-feira, 24 de março de 2017

no ponto

Hoje me comoveu o sorriso de uma senhora no Ponto de ônibus. Perguntei se ela sabia se havia alguma linha naquele horário. A reação dela denunciou que não sabia, mas emendou logo na sequência um “ logo passa”, com um sorriso confiante no rosto. Quisera eu ter essa confiança nos olhos, mas os tempos são duros, assim como meu olhar a constatar que ela estava errada.

quinta-feira, 23 de março de 2017

no fundo virei
poeta por falta
de autoestima
sin
ser
idade
A vergonha de cada
privilégio encarnado

que nada muda

Não leia a bíblia

Tá tudo rotulado
Gente de todo lado
Ninguém foge da engrenagem
Viva a nossa nova imagem!

O destino traçado
na linha de produção
essa é a nossa religião
E a vida segue embalada
em polietileno e acaba
estocada e à venda
Em sua devida seção

Quem quiser saber
Um pouco de nós
Precisa aprender

Não leia, não leia, não leia a bíblia
Leia os rótulos, leia a vida!

Lógica de mercado

o preço do nosso
insistente atraso
ético-ecológico

Hodierno

Um monte de mortos que matam.
encontrar a língua
na sua fragilidade
Eu buscava uma poesia engas
                                               ga
                                                   da