quinta-feira, 17 de julho de 2008

Quase e tanto faz

E foi que um acontecimento recente me pôs a pensar. Foi um quase e um tanto faz. Explico. Trata-se de uma paixão. E no meu apaixonar-se fiz um quase e recebi um tanto faz. Refletindo sobre o fato, percebi que o quase era mais que uma atitude pontual. Percebi que o meu quase era uma postura. Tenho vivido quase. E, no meu parecer, ela está, de maneira semelhante, vivendo tanto faz. A paixão deu em desilusão, pois, eu quase e ela tanto faz. São posturas opostas, mas, muito semelhantes. São posturas que comungam o vazio. Meu quase é um reflexo do nada vale. O tanto faz dela, um reflexo do tudo vale, tudo se equivale. Eu fico avaliando, avaliando... será que eu devo? será que vai dar certo? será que vale a pena? Ela se propõe a tomar atitude: eu quero. Se for assim, tudo bem. Se for assado, também. Contanto que aconteça! Quase e tanto faz. E o que pode haver entre o nada vale e o tudo vale? Não é a primeira vez que faço esta pergunta, mas é a primeira vez que eu a vivo! Emaranhar-se na interrogação, eis algo que tem potência! No quando aconteceu, quase me tanto fiz. Mas, analisando quasemente, concluí que uma ou outra, tanto faz, dá no mesmo. Aí foi bom, pois senti o vazio delas. Quero algo que fuja desses dois grandes ímãs. Quero a terceira margem, outras paragens, outras paisagens. Quero Arte. Artefazer-me. Viver artisticamente, como já disseram... Avaliar sem preconceitos ou pessimismo. O artista-quase diante da tela branca - foge! O artista-tanto-faz diante da tela branca - jamais será um artista. Mas quando vemos um simples artista diante da tela branca, é pica em buceta adubada: dá cria. Sem medo de não valer a pena e nunca indiferente no escolher entre isto e aquilo. Cada pincelada é um passe de mágica. Amor assim eu quero. Amar assim eu quero. Eu quero uma mulher para PINTAR.