quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Temporais

Embrutecer através dos tempos,
acúmulo de forças processual,
coleção de cúmulos,

poder de sobrevivência: adaptamo-nos.

Perceber a vida pétala de cada ser,
pasmar a fraqueza inerente
que dispensa acréscimos

: tudo o que existe corre risco desde sempre

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Sobre o busão

Gostaria de falar sobre o transporte coletivo. Mais especificamente o transporte coletivo de São Carlos. Poderia gastar muitas palavras falando de suas vantagens e do lado ambiental tão longa e chatamente esmiuçado. Não. Gostaria de falar sobre algumas constatações um tanto complexas, graças a minha experiência quase diária neste ambiente: o busão. 1.ª constatação: se existe um ponto de ônibus, isto implica em algo: o motorista usa este ponto como referência para ele parar. Então, por que existem pessoas que solicitam a parada em um ponto muito distante daquele que é o ponto do ônibus? Esta cena é comum. OK. Entramos no ônibus. 2.ª constatação: a vaga para idosos, gestantes ou de deficientes é reservada à idosos, gestantes ou deficientes. O cara (JOVEM e aparentemente NÃO GESTANTE, e NÃO DEFICIENTE) entra e vê 5 lugares vagos. 1 deles é o citado. Adivinhem qual ele escolhe?? AAAAAaaaaahhhhhhh! É preciso manter-se calmo....... Continuando: passamos pelo cobrador e nos deparamos com o busão lotado. Aí vem a 3.ª constatação: se existe um lugar vago (mesmo aquela vaga citada na constatação anterior, quando é a única, pois caso entre alguma pessoa que tem direito àquele assento, a pessoa deve levantar e ceder o lugar) ele deve ser preenchido. Esta constatação é válida para assentos vagos e espaços vagos também, para ficar em pé mesmo. Justifico minha constatação: 2 corpos não ocupam o mesmo espaço ao mesmo tempo. Portanto, 35 corpos também não ocupam o mesmo espaço! E se existe espaço, as pessoas devem se distribuir neste espaço. Mas não, o sãocarlino prefere se amontoar próximo ao cobrador. E olhando para o fundo do ônibus você vê aquela cena que é a minha preferida nestas viagens: uma anta com cara de estúpida, abraçada à um dos canos para se segurar dentro do busão, com duas bolsas... diante de um assento vazio!! @#%$*&#@!!! E nem precisa ter aquele cara bizarro de cabelo azul pra justificar a atitude de não se sentar, as vezes este exemplo de esperteza está diante de 2 assentos vagos: um para ela e outro pra suas bolsas! Mas ela prefere ficar de pé no meio do corredor atrapalhando todos (porque além de tudo, ela provavelmente será a última a descer). Sem dúvida, apreciar este espetáculo às 7h da madruga, à caminho do trampo, é algo indescritível. Neste cenário caótico, por incrível que pareça, ainda é possível conseguir um lugar para se sentar às vezes. Feito isso, vamos para a 4.ª constatação: você deve se levantar um ponto antes daquele no qual você pretende descer. 3 bons motivos pra fazer isso: 1 - é mais fácil se levantar com o ônibus parado. 2 - quando o ônibus para, pessoas descem, abrindo espaço próximo à saída e pessoas sobem. Se você vai até a saída, você abre espaço pra quem está entrando e ocupa um espaço vazio. 3 – Dá tempo de chegar até a saída. E agora a 5.ª e última constatação: para solicitar a parada, basta puxar o cordão 1 (UMA) vez! Em alguns casos existem botões que fazem isso, mas a regra e a mesma: só é preciso apertar 1 vez! (e se o botão estiver enrolado com fita isolante é porque ele provavelmente está quebrado (será que é tão difícil perceber isso???)). Esta constatação é importante, porque muita gente acha que puxar 20 vezes a cordinha vai fazer o ônibus parar mais, ou com mais intensidade, ou talvez chegar antes ao ponto... tenho muitas dúvidas sobre a lógica dessas pessoas. É uma lógica parecida com a daquelas pessoas que apertam o botão do elevador infinitas vezes. Isso não funciona, tá gente? Pronto. Adoro andar de busão em sanca. Mas adoraria mais ainda se minhas ideias fossem difundidas, tipo Busdoor. Texto bem grande, pra ninguém ler mesmo. Até a próxima!