sexta-feira, 8 de abril de 2011

inspirações

Dizem que o avião é fruto de um certo desejo de pássaro dos humanos

E, no entanto, há mais desejo de pássaro naquele que bebe água num rio sem utilizar as mãos
que naqueles que voam

terça-feira, 5 de abril de 2011

Sobre os "comentários" nos sites de notícias

Apenas um breve desabafo e uma sugestão: o campo localizado abaixo das notícias, nos mais variados sites deste gênero, deveria ter sua nomenclatura alterada de "comentários" para "julgamentos". Não acho que estes julgamentos acrescentem algo, pois são um amontoado de opiniões rasas pouco fundamentadas reafirmando o mais do mesmo. Mas, ainda que não se resumissem a isso (alguns julgamentos são de fato bem fundamentados e estruturados ou, mais raro, até interessantes), o próprio formato do julgamento limita o alcance destes textos. Se os leitores soubessem ler, saberiam que se trata de um espaço reservado à comentários (além do termo que marca o local reservado, temos, na maior parte dos casos, o imperativo: comente!). Aqueles que ignoram as indicações do próprio site não se dão conta de que um comentário tem inúmeras possibilidades: pode acrescentar fontes que dão embasamento ao texto, ou, que funcionam como contra-argumentos; pode relembrar fatos pouco destacados no texto, mas que podem ter importância decisiva no sentido geral do texto; pode revelar algo sobre o próprio autor do texto (para conferir autoridade ou problematizá-la); pode desenvolver algum ponto levantado pelo texto; pode apontar falhas de argumentação; etc, etc, etc. Um comentário pode muito mais e é infinitamente mais potente e livre do que um pobre e arrogante julgamento. Mas, a preguiça geral impele a enorme maioria dos leitores à facilidade do julgamento: - façamos jus ao que é escrito, mudemos o nome deste campo para "julgamentos"! É uma pena quase ninguém conseguir comentar nos tempos de hoje...

quinta-feira, 31 de março de 2011

quarta-feira, 16 de março de 2011

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Dissonâncias

Um olhar com malícia que se atreve
encontra um outro olhar e assim enceta
feitura de um acorde. Em semibreve:
com nuca, seio, língua, mão e a meta

Dedilhando alguns toques ritmados
viradas pulam bruscas no compasso
tecidos se contorcem esmagados
arranjo dissonante, ato devasso

Esfarela-se o tempo no cenário
vão dúvidas e dívidas também
A musicalidade do ato vário
sopro de liberdade que advém

É um acontecimento, um gozo: mágica!
Uma harmonização que é desarmônica

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

quando a concisão da palavra não me bastar fui ser conciso na vida