domingo, 31 de janeiro de 2010

Longo passeio II

Pé ante pé
no abismo do ceticismo
living on the edge
bordeia e volta
pra área segura

pé ante pé
semiótica
rodopiando
pleno Magritte
roda e volta
pra área plana

pé ante pé
sambando no embalo
de choros antigos
dedilhados divinos
samba e volta
pro silêncio

pé ante pé
conhece a Serteza
e fica louco
ensandece e volta
pra secura da vida

pé ante pé
ante pé ante
ante

é

domingo, 24 de janeiro de 2010

Longo passeio

Quer dar uma volta, filho? Vou ao banco. Saía o moleque feliz da vida. Na calçada o desenho do mosaico era respeitado pelas pisadas. Não podia andar em linha reta, como o pai fazia. E o pai se irritava com isso: anda direito, moleque! O pai tinha um objetivo, uma meta, um fim onde queria chegar. O garoto estava apenas passeando. Para um, o andar reto é imprescindível. Para o outro, não. O problema é que o garoto continuou andando daquele jeito pelo resto da vida. Mas nem todo mundo olha para o chão, onde está o desenho do mosaico. E não é que a vida está cheia desses mosaicos? O problema é que os nossos objetivos desviam nossos olhares... Mas o garoto continua passeando e pelo que tudo indica vai continuar por muito tempo ainda.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Falso Rogo

O louva-a-deus é um bicho duplamente herege:
Seu deus tem dê pequeno
Quando em dois, politeíza:
louva-deuses!


excomunga!

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Resgate da meninice

o cachorro do caminhão de gás
tem pata a mais

permanganato de potássio
é banho de suco

e eu gostava mesmo era de
marvadeza

domingo, 29 de novembro de 2009

Fora da vitrina

Com a mãe na loja chique
roupas e mais roupas
tudo muito comprativo
e o moleque embasbacado
com o manequim de moça
pelado

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Aquilo que trago há muito tempo

Repete-se ao longo de mim
algo que agride e agrada

estala meu todo
eriça
entranha e estranha

revela o que sei
refigura
revigora

doce essência
insustentável
que invade
vias
expande
explode
retorna eterno

Num átimo
que é
vivenciar o perfume barato
da namoradinha que nunca existiu

quando a concisão da palavra não me bastar fui ser conciso na vida