domingo, 29 de novembro de 2009

Fora da vitrina

Com a mãe na loja chique
roupas e mais roupas
tudo muito comprativo
e o moleque embasbacado
com o manequim de moça
pelado

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Aquilo que trago há muito tempo

Repete-se ao longo de mim
algo que agride e agrada

estala meu todo
eriça
entranha e estranha

revela o que sei
refigura
revigora

doce essência
insustentável
que invade
vias
expande
explode
retorna eterno

Num átimo
que é
vivenciar o perfume barato
da namoradinha que nunca existiu

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Combinações

Estávamos celebrando: amor, teatro, dansa, vídeo, música e vida. O que estava em jogo era tudo mesmo. E, não obstante, existem coisas que de tão potentes brilham de cor e transformam o resto da cena em P/B: as formigas sugando a gota. As formigas se agigantando e engolindo não mais a gota. A gota virando mar. As formigas engolindo meu eu.

Um pouco mais poeta

O soco seco da revelação
de uma poesia que não é minha

depois, saborear
extemporaneamente
todo o meu
DESMÉRITO

sexta-feira, 26 de junho de 2009

À sua repartição

Venho por meio desta requerer um pouco de poesia
em sua triste burocracia

Em anexo, declarações de amor e a alma de algumas pessoas
______ para serem preenchidas

Peço a gentileza de encaminhar no barro
com o corpo todo descalço

É de extrema desimportância:
lançar mão de frestas nas janelas
para emaranhar a sala do escritório
com incontáveis blocos contendo: sopro de vento

Solicitamos urgente atenção para a elaboração de escritos
Ser serelepe no trato com a língua
eis a regra

Dispachar aquele prego enferrujado

no meio do paiêro
Assina em cima
Assina em cima

Se possível, verter menos tinta agapê
face abaixo


assinado

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Cadê

Cadê

Cadê
Cadê

Cadê

Cadê

?

?

? ?

Entre os meus
é sempre

Mas num é aqui

num é lá

É acolá que tá!

quando a concisão da palavra não me bastar fui ser conciso na vida