Gostaria de reservar um lugar muito especial para este post. Minha vontade era marcar um x na caixa de cheiro de mato e outro na de perfume de vida, ao invés de clicar em negrito ou itálico. Hoje terminei de ler o livro mais maravilhoso com que já me deparei: "Grande Sertão: Veredas"! Putaquepariu! Difícil falar sobre. Uma vida inteira e à parte, eu estive nele. Materia vital. Páginas feitas de carne humana. Personagentes. Milhões de poesia! Palavras mágicas. Mestre mor de nossa língua: Grande Guimarães: Rosa! Para ele, meia dúzia de palavras basta para extravasar a alma humana. Transbordar qualquer limite conhecido de nossa mente. Brincar com o material da vida. Poesiar... É tanto!, mas tanto!, que nem sei. Naum posso mais do que caleidoscopiar um pouquinho do que ele me deu. Sei que ele é universidade onde só se pode formar amanhã, ou depois, ou até mesmo depois:
"... as coisas importantes, todas, em caso curto de acaso foi que se conseguiram - pelo pulo fino de sem ver se dar - a sorte momenteira, por cabelo por um fio, um clim de clina de cavalo."
"... a gente quer passar um rio a nado, e passa; mas vai dar na outra banda é num ponto muito mais em baixo, bem diverso do em que primeiro se pensou."
"Viver é etcétera."
"O real não está nem na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia."
"A gente vive eu acho, é mesmo para se desiludir e desmisturar."
"Passarinho cai de voar, mas bate suas asinhas no chão."
"VIVER, NEM NÃO É UM PERIGO?"
PEQUENO: adj., de dimensão reduzida; de baixa estatura; que ocupa pouco espaço; limitado; apoucado; acanhado; mesquinho. DELITO: do Lat. delictu; s. m., facto que a lei considera punível; ofensa à moral; crime; atentado; falta; culpa.
quinta-feira, 6 de setembro de 2007
sábado, 18 de agosto de 2007
Valorização
Desde que comecei a dar mais valor ao lado financeiro
Estou acumulando tristezas
poupando inteligência
inflacionando meu ego
investindo na tolice cotidiana
trocando sorrizinhos
(notas falsas na caixa (de música) registradora de minha vida)
vendendo barato tudo o que é meu
nessa barganha existencial
ETC, ETC, ETC, ETC, ETC, ETC, ETC, ETC, ETC, ETC, ETC,
E assim vou me liquidando
Aproveitem a queima total!
Estou acumulando tristezas
poupando inteligência
inflacionando meu ego
investindo na tolice cotidiana
trocando sorrizinhos
(notas falsas na caixa (de música) registradora de minha vida)
vendendo barato tudo o que é meu
nessa barganha existencial
ETC, ETC, ETC, ETC, ETC, ETC, ETC, ETC, ETC, ETC, ETC,
E assim vou me liquidando
Aproveitem a queima total!
quarta-feira, 15 de agosto de 2007
um delicado presente do inconsciente
Esta noite sonhei com ela. Estava eu com outra, ela com outro, mas era como se houvesse apenas nós dois. Imagens de amigos surgiam e sumiam rapidamente, uma após a outra. Então, estávamos realmente a sós. Queríamos nos beijar, mas não era possível. Não conseguíamos nos beijar, mesmo existindo só nos dois. Criamos um túnel com nossas mãos, ligando nossas bocas. Ela, então, soltou sua alma pelos lábios, passando primeiro por suas mãos, depois pelas minhas e sendo sugada desesperadamente pela minha boca. Depois foi minha vez de assoprar. E, então, seu rosto estava coberto de delicadas gotículas, as quais imaginei que fossem minha saliva. Seu rosto era perfeito. Com minha mão enxugava e acariciava-a, desculpando-me e explodindo de amor e contemplação. Depois foi um corte brusco, escuridão; e acabou.
terça-feira, 14 de agosto de 2007
O Caminho
Continuo insistindo nas imagens
Investindo na sonoridade
Lambendo o grelo dos bons modos
Valorizando o sorriso, sempre!
Mandando a métrica à merda
economizando
Mentindo da maneira mais sincera possível
Assumo que estou tentando ser poeta
e não me importo com as risadas encobertas e dissimuladas
- burburinho gostoso de se ouvir -
Eu, definitivamente, não tenho planos de vencer na vida.
Investindo na sonoridade
Lambendo o grelo dos bons modos
Valorizando o sorriso, sempre!
Mandando a métrica à merda
economizando
Mentindo da maneira mais sincera possível
Assumo que estou tentando ser poeta
e não me importo com as risadas encobertas e dissimuladas
- burburinho gostoso de se ouvir -
Eu, definitivamente, não tenho planos de vencer na vida.
quinta-feira, 9 de agosto de 2007
Fofa
Você é o amor que encontrou o caminho do coração
Você é a paz que iluminou minha vida
Você é a lua que encantou com sua beleza
Você é a princesa que conquistou com sua formosura
Você é a estrela que brilhou lá no céu
Você é a fada que transformou meu sonho em realidade
Você é a luz que ressurgiu com sua magia
Você é o mar que contagiou com sua imensidão
Você é o luar que surgiu juntinho com a aurora
Você é a flor que perfumou o meu jardim.
Você é a paz que iluminou minha vida
Você é a lua que encantou com sua beleza
Você é a princesa que conquistou com sua formosura
Você é a estrela que brilhou lá no céu
Você é a fada que transformou meu sonho em realidade
Você é a luz que ressurgiu com sua magia
Você é o mar que contagiou com sua imensidão
Você é o luar que surgiu juntinho com a aurora
Você é a flor que perfumou o meu jardim.
quinta-feira, 12 de julho de 2007
Poema Piada
Um certo deus
depois de muito observar
a tristeza de uma estátua
resolveu presenteá-la
com vinte minutos de vida
_O que você deseja
nesses poucos instantes
de vida?
_Apenas uma pomba.
Pobre pomba...
depois de muito observar
a tristeza de uma estátua
resolveu presenteá-la
com vinte minutos de vida
_O que você deseja
nesses poucos instantes
de vida?
_Apenas uma pomba.
Pobre pomba...
domingo, 8 de julho de 2007
Escultor desastrado
A vida me vem com intenções poéticas
Me pega de assalto - criminosa que é
Deixo.
Só depois me empenho,
o acontecimento já se deu,
em achar palavras certas
Mas aos poucos, sutilmente,
a vida vai me convencendo
a rachar certas palavras:
Pouco importa o que eu acho
Interessante é o que eu racho.
Me pega de assalto - criminosa que é
Deixo.
Só depois me empenho,
o acontecimento já se deu,
em achar palavras certas
Mas aos poucos, sutilmente,
a vida vai me convencendo
a rachar certas palavras:
Pouco importa o que eu acho
Interessante é o que eu racho.
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