quinta-feira, 23 de março de 2017

no cessar da luz
lua de lasca de unha
no primeiro dia do ano
não! não quero menos que um olhar
que atravessa o âmago e vai dar
junto sei lá onde
Em meus delírios egoicos
Vejo quem me lê implorando
Com raiva o resto
(do poema, dos livros, da prosa, do tema, da obra, daquilo que de fato tenho pra dizer)
Em vão.

O que me faço em palavras não é mais que palavras
o ritmo do espetáculo
no gotejar do fim da chuva
de entardecer

segunda-feira, 6 de junho de 2016

cada corte da navalha ilegítima
sangra a carne dos insistentemente calados que gritam
de dor e ódio e o vermelho
que foge de suas veias
nunca mais será segredo

quando a concisão da palavra não me bastar fui ser conciso na vida